10 anos sem Jayme.
Hoje durante a realização do programa Sala de Redação o jornalista Paulo Santana, talvez sem aperceber-se, fez a maior homenagem que alguém poderia poderia fazer ao grande poeta e payador missioneiro Jayme Caetano Braun. Santana além de recitar versos do poema Galo de Rinha, "Porque na rinha da vida Já me bastava um empate! Pois cheguei no arremate Batido , sem bico e torto .. E só me resta o conforto Como a ti, galo de rinha Que se alguém me dobrar a espinha Há de ser depois de morto!"
de autoria do homenageado, contou que depois do mesmo deixar a Rádio Guaíba tentou por anos a fio levá-lo para o grupo RBS, sem nunca ter conseguido êxito em suas tentativas. Palavras do Santana : _ Ele nunca quis a RBS. Assim como Noél Guarany que exigia que a RBS desligasse suas câmeras quando de suas apresentações, Jayme disse não às luzes da mídia tendenciosa e corporativista. Que lástima que homens deste quilate já não estejam entre nós. Será que só os missioneiros honram seus bigodes ? Vai aqui uma singela homenagem deste blog a este grande astro, crioulo das barrancas do Rio Uruguai. Jayme Caetano Braun assista ao vídeo http://www.youtube.com/watch?v=JDqJ4F3Ax6Q Duas Cruzes Um era um taura e se perdeu por taura, outro era maula se perdeu por maula, quebras demais para viver em jaula, com muita raça pra esconder a cara. Dois irmãos gêmeos, um igual ao outro, de olhares gêmeos com fulgor de auroras, mais parecidos que um par de esporas num par de botas de garrão de potro. O pai, um tigre que a branquear ficara, entre ossamentas, num tendal de guerra, a mãe chirua com sabor de terra, o lar, um rancho, santa-fé e taquara! Um era maula, mesmo sendo taura outro era taura mas não era maula, mas não nasceram pra viver em jaula e nem tampouco pra esconder a cara. Por isso um dia, quando o comissário chegou no rancho pra prender o maula achou dois tigres numa mesma jaula junto à mãe velha, deusa do santuário. Saltaram fora, pra livrar das balas, a mãe querida que os amamentara, caiu morrendo, junto à porta, o taura, caiu já morto, logo adiante o maula! De toda a parte vinham fogonaços e os dois ficaram mais iguais na morte pois mesmo tigres pra enfrentar a sorte não tinham breves pra atacar balaços! Do par de tauras que tombou na luta, restou somente, sem fulgor de auroras, mais parecidas do que um par de esporas, um par de cruzes, de madeira bruta! Por isso à noite – nunca faltam luzes, defronte ao rancho onde a saudade habita. É a mãe dos gêmeos que ficou solita e acende velas, pra velar as cruzes!
Escrito por Cebolinha às 14h03
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